quarta-feira, 16 de maio de 2012

Cinarizina melhora vertigem em mulheres climatéricas


 


Estudo da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) mostra que em prazos mais prolongados, o medicamento industrial cinarizina pode atuar no sistema termorregulador do organismo (que mantém a pessoa a uma temperatura interna quase constante). A substância também se mostrou  eficaz no tratamento de sintomas como insônia, irritação, vertigem e ondas de calor de mulheres no período climatérico —fase de transição do período reprodutivo para um período não fértil — que não podem receber tratamento hormonal, entre elas, pessoas que já apresentaram câncer de mama. 
 
De acordo com o ginecologista Pérsio Yvon Adri Cezarino, autor da pesquisa, “ a vertigem foi o sintoma climatérico que durante a pesquisa teve a melhora mais significativa entre as pacientes que receberam o medicamento”.

A droga já é utilizada em tratamentos de vertigem e dores de cabeça por otorrinos, oftalmos e neurologistas atua como um vasodilatador, ou seja, promove a diltação de vasos sanguíneos e auxilia no tratamento da circulação sanguínea insuficiente em casos de acidente vascular cerebral (AVC). O estudo de mestrado Cinarizina no tratamento dos sintomas climatéricos foi apresentado na FMUSP, sob a orientação do professor  Vicente Renato Bagnoli.

O estudo analisou 62 pacientes atendidas no Setor de Ginecologia Endócrina e Climatério do Hospital das Clínicas (HC)  da FMUSP, com idade entre 45 e 60 anos e predomínio da manifestação de fogachos no período climatérico, ondas de calor que variam de três a seis minutos e causam súbita vermelhidão do rosto da mulher, além de uma intensa sensação de calor no corpo e transpiração. “Este sintoma acontece porque durante o climatério, caem as taxas de estrogênios no organismo da mulher o que provoca um descontrole do sistema termorregulador podendo haver aumentos súbitos de temperatura, seguidos de calafrios. As manifestações acontecem com maior frequencia durante a noite, ocasionando insônia, fadiga e perda da qualidade de vida da mulher”, descreve o médico.

Grupos

As pacientes foram divididas em dois grupos. Um deles, foi denominado grupo “S” e composto por 27 mulheres com faixa etária média de 53,9 anos, sendo 51,9% brancas e 48,1% negras. O outro, chamado “M”, com 35 pacientes que tinham em média 54,7 anos e era formado por 51,4% brancas e 48,6% negras. 

O grupo S recebeu 25 miligramas (mg) de Cinarizina a cada 12 horas, via oral e por 6 meses. Por sua vez, ao grupo M foi ministrado um comprimido de placebo, substância inerte ou inativa, a que se atribui certas propriedades (como as de cura de uma doença) e que, ingerida, pode produzir um efeito que suas propriedades não possuem — a cada 12 horas, via oral e também por seis meses. A escolha do tratamento foi feita pela metodologia de estudo duplo cego e randomizado em que pacientes foram distribuidas por sorteio no grupo e na medicação onde o pesquisador não interfere no trabalho e no desfecho (resultado). Nem o médico, nem a paciente saberia indicar até o fim da pesquisa quem recebeu o medicamento ou o placebo.

Todas as mulheres envolvidas na pesquisa foram submetidas a um exame físico geral em que foram extraídos dados como peso, altura e pressão arterial. Além disso, para obtenção de outras informações o médico utilizou como base o Índice Menopausal de Kupperman (IMK) que verifica a intensidade de 11 sintomas proporcionados à mulher neste período, como fadiga, fraqueza, dores de cabeça, insônia e nervosismo, mas não considera, no entanto, como ele mesmo explica, “uma análise da vida sexual da paciente como secura vaginal e diminuição da libido”. Neste sistema a própria mulher atribui uma pontuação que pode variar entre leve, moderada e acentuadas para cada uma das manifestações. O questionário foi aplicado por duas vezes, no começo e após seis meses do início do tratamento.

A análise dos resultados demonstrou que houve melhora significativa, em ambos os grupos, de todos os sintomas climatéricos com execeção da artralgia (dores nas articulações) e da mialgia (dores musculares)  no grupo S e da vertigem no grupo M. O ginecologista, entretanto, diz que “um estudo mais prolongado do efeito da droga em pacientes em climatério seria adequado para a verificação de resultados em um prazo mais longo, uma vez que, apenas entre o quarto e o sexto mês da pesquisa foi possível notar melhoras das pacientes em relação às vertigens.

Fonte: Sandra O. Monteiro - USP Notícias

terça-feira, 15 de maio de 2012

Exercício reduz vontade de jogar em jogadores compulsivos

A prática de atividade física reduz a vontade de jogar (fissura) dos pacientes diagnosticados como jogadores patológicos. Na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), um programa de exercícios aplicado pela professora de educação física Daniela Lopes também conseguiu diminuir de forma significativa os sintomas de ansiedade e depressão, muito comuns entre os jogadores patológicos.


A pesquisa foi realizada com 33 pacientes com diagnóstico de jogo patológico atendidos pelo Ambulatório de Jogo Patológico (PRO-AMJO) do Instituto de Psiquiatria (Ipq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). “Todos tinham mais de 18 anos, com média de idade de 47 anos, e não apresentavam patologia clinica que contra-indicasse a prática de atividade física”, afirma Daniela, que realizou os estudos. “A maioria fazia uso de medicação, principalmente anti-depressivos e estabilizadores de humor”. O tratamento dos pacientes no PRO-AMJO dura de 12 a 15 semanas e inclui atendimento médico (consultas mensais ou bimestrais) e  psicoterápico (sessões semanais). Em média, são recebidos seis novos pacientes por mês, e aproximadamente 30 se encontram em atendimento psicoterápico.

Durante dois meses, duas vezes por semana, os pacientes eram reunidos para fazer alongamento e exercícios aeróbicos — caminhada ou corrida leve — num total de 50 minutos de atividade física supervisionada por Daniela. Antes e depois de cada sessão, era feita a medição da fissura, que indicava a vontade de jogar que o paciente apresentava naquele momento. “Essa medição também foi feita antes do programa de atividade física começar, e após seu encerramento, por meio de uma tabela com uma escala onde o paciente indicava sua vontade de jogar, para verificar a evolução do nível crônico de fissura”, diz a professora.

Na medição antes das sessões de exercícios, a fissura diminuiu de 2,3 para 0,9. Na verificação após a atividade física também houve queda, de 0,8 para 0,1. “A motivação para os exercícios faz com que o nível de fissura seja baixo, ou seja, o desejo de jogar é menor”, afirma Daniela. “O resultado ainda é mais relevante se for levada em conta a fissura sete dias antes do exercício apontada pelos pacientes, que caiu de 16,2 para 5,9”. A pesquisa foi orientada pela professora Mônica Zilberman, da FMUSP.

Comportamento

Os pacientes também foram avaliados por meio da Escala de Comportamento do Jogo, que inclui os fatores jogo (sua prática propriamente dita), problema social e desgaste (estresse emocional). “Na soma desses fatores, um número menor que 29 significa um quadro de jogo patológico e uma soma maior que 33 representa remissão completa”, explica Daniela. “Com o programa de atividade física, conseguimos fazer os pacientes avançarem na escala de 28 para 38, eliminando o diagnóstico de jogo patológico.”

Os sintomas de depressão foram avaliados por meio de um questionário com 21 perguntas, cujo resultado varia entre zero e 63 pontos. “Os pacientes com escores acima de 21 pontos possuem depressão clinicamente diagnosticada”, aponta a professora. “Com os exercícios, o índice médio foi reduzido de 23 para 10 pontos, o que representa uma redução significativa nos sintomas de depressão.”

No caso da ansiedade, avaliada de acordo com critérios similares aos da depressão, a melhora também foi relevante. “A média caiu de 21 pontos, o que representa um quadro significativo de ansiedade, para 10, 9 pontos, ou seja, sem sintomas diagnosticáveis.”

Durante a pesquisa também foram realizadas medições biológicas, envolvendo os níveis de prolactina (relacionada a presença de dopamina no sistema nervoso central, que influencia a vontade de jogar) e cortisol (ligado ao estresse). “Para ambas as substâncias não se verificou alterações relevantes”, observa Daniela, “no entanto, a amostragem é pequena para ser conclusiva, já que apenas 18 pacientes aceitaram fazer estes exames.”

Fonte: USP Notícias

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Substância antianêmica pode ser usada contra infecções

A eritropoietina, hormônio produzido no rim e utilizado medicinalmente para tratar a anemia, pode ser usada para tratar a sepse, um grau avançado de infecção. “Atualmente o principal tratamento da sepse é feito com antibióticos e soro para manter a pressão arterial em caso de choque séptico, que é o pior tipo de sepse”, afirma a médica Camila Eleutério Rodrigues, do Laboratório de Investigação Médica (LIM 12) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Em sua pesquisa, Camila estudou a utilização do ativador contínuo do receptor da eritropoietina (CERA, sigla em inglês). O estudo mostra que a diferença do CERA para a eritropoietina é a capacidade de funcionar por um maior período no organismo.


“O paciente que usa a eritropoietina precisa de três doses semanais. Já com o CERA é possível tratar o paciente anêmico com uma dose por mês”, afirma. O trabalho de Camila realizado no LIM 12 segue a tendência internacional de buscar alternativas para o tratamento da sepse.

A substância também tem outro aspecto que incentivou o seu estudo como alternativa para o tratamento de infecções. A eritropoietina já é usada para tratar anemia em pessoas que têm doença renal crônica. “Ela tem como propriedades a capacidade de inibir a morte celular em alguns casos, além de ser capaz de aumentar a pressão arterial e modular o sistema imunológico, com possível ação de inibição de atividade inflamatória”, explica Camila. A vantagem de a eritropoietina ser uma substância utilizada em humanos em outros tratamentos é já serem conhecidos seus efeitos colaterais e saber-se que é uma substância segura.

Indução

Os estudos foram realizados a partir de induções de sepse em ratos de laboratório pela exposição do abdômen a bactérias. Segundo Camila, esse é o modelo animal que melhor mimetiza a sepse humana. “É o que acontece, por exemplo, quando uma pessoa tem uma úlcera perfurada”, afirma. Em um grupo de animais o CERA foi aplicado antes da indução da sepse e, em outro, chamado de grupo séptico, houve apenas a infecção. Além disso, os dois grupos receberam antibióticos e soros, tratamento padrão para a sepse em humanos.

A sepse é definida como uma síndrome de reação inflamatória sistêmica associada a um foco infeccioso. Frequentemente leva à disfunção de múltiplos órgãos, sendo que os mais afetados costumam ser os pulmões e os rins. Nos Estados Unidos, a sepse está associada a 11% das internações em unidade de terapia intensiva (UTI) e é responsável por cerca de 10% das mortes registradas anualmente.

Os animais sépticos apresentaram problemas como disfunção renal, hepática e de pequenos vasos sanguíneos. “Percebemos que eles também têm expressão aumentada de toll like receptors tipo 4 (TLR4), de fator nuclear kappa B (NF-kB) e citocinas inflamatórias. Há ainda a redução na expressão de receptores de eritropoietina no rim”, afirma Camila.

O TLR4 é um receptor presente nas células do sistema imunológico que, em contato com bactérias, inicia a inflamação pelo corpo. O NF-kB é uma substância presente no sangue que, quando estimulada, atua no núcleo das células produzindo citocinas, proteínas que atuam na ativação da resposta do sistema imunológico à infecção. Uma grande quantidade dessas substâncias no organismo indica a presença de uma infecção severa.

Os ratos tratados previamente com o CERA apresentaram melhora nas disfunções renal, hepática e microvascular, além de terem menor expressão de TLR4, NF-kB e citocinas. Eles também expressaram mais receptores de eritropoietina no rim que o grupo séptico.

A pesquisa foi desenvolvida por Camila, doutoranda do LIM 12, Talita Sanches, também doutoranda, Rildo Volpini e Maria Heloísa Shimizu, pesquisadores e orientadores e Lúcia Andrade e Antonio Carlos Seguro, coordenadores do laboratório. Também houve participação de Niels Camara, professor da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, e Patrícia Kuriki, pós-doutoranda da Unifesp.

Fonte: Victor Francisco Ferreira -USP Notícias

terça-feira, 8 de maio de 2012

Substância faz emagrecer alterando relógio biológico

Cientistas do Instituto de Pesquisas Scripps (EUA) sintetizaram duas moléculas que alteraram radicalmente o relógio biológico em experimentos com animais.
Segundo os cientistas, os resultados destacam que os novos fármacos mostraram elevado potencial para tratar uma série de condições, entre elas o sobrepeso e a obesidade.

Mas não apenas isso: entre os possíveis beneficiados com uma eventual droga baseada nesse princípio estão pacientes com diabetes, colesterol alto e problemas sérios de sono.

O estudo está publicado em edição de início de abril de 2012 na na revista Nature.

Os ritmos circadianos resultam em processos psicológicos que respondem aos ciclos de luz e escuridão, embora o relógio biológico não seja a única rota para a influência da luz sobre a saúde. [Imagem: Wikimedia]

Ritmos circadianos

O composto agora descoberto altera o ritmo circadiano, o relógio biológico do organismo.

Também é alterado o padrão de expressão genética no hipotálamo, a região do cérebro que contém o principal relógio celular do corpo, que sincroniza os ritmos diários do organismo dos mamíferos.

Os ritmos circadianos resultam em processos psicológicos que respondem aos ciclos de luz e escuridão, embora o relógio biológico não seja a única rota para a influência da luz sobre a saúde.

Quando foram administrados a camundongos tornados obesos por uma dieta rica em gordura, os compostos reduziram a obesidade ao diminuir a massa gorda e melhorar muito o nível do colesterol e os níveis de glicemia.

"A ideia por trás desta pesquisa é que nossos ritmos circadianos estão acoplados com processos metabólicos, e que você pode modulá-los farmacologicamente," disse Thomas Burris, que liderou o estudo.
"Como se demonstrou, o efeito desta modulação é surpreendentemente positivo, tudo tem sido benéfico até agora," comemora ele.

Serve para seres humanos?

A equipe identificou e testou dois compostos sintéticos que ativam as proteínas REV-ERBα and REV-ERBα, que regulam genes que controlam os ritmos biológicos.

Os efeitos metabólicos foram observados depois de 12 dias de aplicação - os animais perderam peso sem nenhuma alteração em sua dieta, nem de qualidade e nem de quantidade.

Em um dos experimentos, a produção de colesterol nos animais reduziu-se em 47%.

A descoberta do fármaco, o princípio ativo que poderá vir a se tornar uma droga, é o primeiro passo no desenvolvimento de um medicamento, o que só acontece depois de avaliações de toxicidade, efeitos colaterais e, finalmente, a aplicabilidade dos resultados aos seres humanos.

Fonte: Diário da Saúde