segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Dor de cabeça, Cefaléia ou Enxaqueca?

Muitas pessoas se confundem com relação ao significado dessas palavras.

Dor de cabeça é uma terminologia popular e dispensa explicações. Um aspecto interessante é que, embora o queixo, o nariz e os olhos estejam situados na cabeça, ninguém que sinta uma dor numa dessas estruturas diz ter uma dor de cabeça. Assim dizem, apenas quando a dor é na região do crânio.

Cefaléia é um termo técnico e significa exatamente o mesmo que dor de cabeça. Assim, não faz sentido dizer o que freqüentemente se ouve: “O que tenho não é cefaléia, é somente uma dor de cabeça!”

A Enxaqueca é uma forma de cefaléia, mas não a única. Para se ter uma idéia, a Sociedade Internacional de Cefaléia reconhece mais de 150 modalidades de dor de cabeça. Entre os médicos especialistas em dor de cabeça, alguns preferem chamar a enxaqueca de migrânea. A enxaqueca (ou migrânea) é uma doença herdada geneticamente, como demonstram as pesquisas que estudam famílias inteiras e pares de gêmeos. Portanto, não se deve dizer que a enxaqueca é algo “normal” ou “com que se deve acostumar”. A enxaqueca tem tratamento e os pacientes se beneficiam grandemente dele, embora, na maioria das vezes não seja possível evitar completamente as crises.

O diagnóstico da enxaqueca é clínico.

Algumas particularidades permitem distinguir clinicamente a enxaqueca de outras formas de cefaléia. A seguir, apresentaremos algumas das características da enxaqueca.

Manifestação por crises – Caracteristicamente, a enxaqueca se manifesta por crises que duram de 4 a 72 horas, se não tratada. Quando utilizados medicamentos abortivos das crises apropriados, a duração pode ser bem menor.

Tipo e intensidade da dor – A dor da enxaqueca é, mais freqüentemente, unilateral, podendo haver variação de lado entre as crises, e é descrita como latejante (pulsátil), na maioria das vezes. A intensidade é moderada ou forte na maioria das crises, ou seja, interfere ou impede a realização das atividades habituais.

Aura – Algumas pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam, na fase que precede a crise de dor, fenômenos neurológicos transitórios a que se dá o nome de aura. As auras mais comuns são as visuais. Nesses casos, o paciente refere enxergar manchas no campo visual. Mais freqüentemente, essas visões são compostas por linhas brilhantes, em ziguezague e que compõem um arco com a convexidade voltada para a parte externa do campo visual. Iniciam-se pequenas e vão se ampliando progressivamente dentro de minutos até uma hora, chegando a tomar toda a metade do campo visual. Outras auras freqüentes caracterizam-se por sensação de dormência de um membro, geralmente, nas pontas dos dedos, ou na língua ou lábios. Formas menos comuns incluem incapacidade temporária para falar (afasia) ou fraqueza (paresia) de um ou mais membros de um lado do corpo.

Resumo das características da enxaqueca
Duração das crises 4 a 72 horas, se não tratadas
Tipo de dor Pulsátil(latejante), na maioria das vezes
Intensidade da dor Modera a forte na maioria das crises não tratadas
Fenômenos acompanhantes Intolerância à luz (fotofobia), aos ruídos (fonofobia) e aos odores (osmofobia), náusea, vômito
Fatores de agravamento Movimentos súbitos ou inclinação da cabeça, esforços físicos ou mentais, decúbito (em alguns pacientes)
Fatores de melhora Sono (em alguns casos), aplicação de gelo, compressão das têmporas

 Fonte:Sociedade Brasileira de Cefaléia (www.sbce.med.br)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Anticancerígeno pode ser esperança para portadores de Alzheimer

Um estudo publicado pela revista americana Science no dia 10/02/2012 revelou que o medicamento utilizado contra o câncer, bexaroteno, restaurou rapidamente as funções cerebrais normais de ratos de laboratório que sofriam do Mal de Alzheimer, um avanço que pode resultar no desenvolvimento de um tratamento para esta doença incurável e devastadora.

A substância  fez desaparecer nos ratos até 75% das placas beta-amilóides, uma forma de proteína cujo acúmulo é uma das principais características patológicas do Alzheimer. Além disso, reverteu os sintomas da doença, como a perda de memória.

Após 72 horas do início do tratamento com o bexaroteno, os ratos começaram a exibir comportamentos normais.

Estes animais também recuperaram a memória e o olfato, explicou Daniel Wesson, professor adjunto de Neurociência na faculdade de Medicina Case Western, em Cleveland (Ohio), principal co-autor do estudo.
Ele notou que a perda de olfato é, geralmente, o principal sinal de Alzheimer nos humanos.

Esta pesquisa foi baseada na descoberta, em 2008, do Dr. Landreth (autor principal do estudo em questão) sobre o fato que o principal veículo do colesterol no cérebro, uma proteína chamada Apolipoproteína E (ApoE), também facilita a destruição das beta-amilóides. Um aumento dos níveis da ApoE no cérebro acelera a "limpeza" das placas amilóides que se acumulam.

O bexaroteno, inicialmente desenvolvido pelo laboratório americano Ligand Pharmaceuticals com o nome de marca Targretin, foi aprovado pela Agência Americana de Medicamentos (FDA) em 1999. Ele trata um câncer raro (linfoma cutâneo de células T) e, agora, pode ser uma esperança para os portadores de Alzheimer.

A figura abaixo mostra o cérebro saudável e em diferentes fases da patologia. Ocorre redução do hipocampo, que é a principal região responsável pelos processos de memória.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Cigarros com sabor deverão ser retirados do mercado brasileiro


Os diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) chegaram, nesta terça-feira (14/2), a um consenso quanto à proibição do uso de aditivos nos produtos derivados do tabaco comercializados no Brasil.  No entanto, a proposta, apreciada em reunião pública da Diretoria Colegiada do órgão, não foi votada, pois os dirigentes decidiram aprofundar as discussões quanto ao uso de açúcar nesses produtos.

 
A pauta volta a ser debatida na próxima reunião pública da Diretoria Colegiada da Agência, em março. A proposta da Anvisa, quando for publicada, dá o prazo de 18 meses para os cigarros com sabor saírem do mercado nacional.

 “A resolução terá impacto direto em uma das principais estratégias da indústria para incentivar que jovens comecem a fumar, já que a adição de substâncias, como mentol, cravo e canela, mascara o gosto ruim da nicotina e torna o tabaco um produto mais atraente para esse público”, afirma o diretor da Anvisa, Agenor Álvares.

 Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que 45% dos fumantes de 13 a 15 anos consomem cigarros com sabor.

A norma da Anvisa prevê, ainda, que sejam retiradas dos  produtos derivados do tabaco substâncias que potencializam a ação da nicotina no organismo, como acetaldeído, ácido levulínico, teobromina , gama–valerolactona e amônia.


Dados
Cerca de 600 aditivos são utilizados na fabricação de cigarros e de outros produtos derivados do tabaco. O cigarro contém, em média, 10% da massa composta por aditivos.

Entre 2007 e 2010, o número de marcas de cigarros com sabor, cadastradas na Anvisa,  cresceu de 21 para 40. Pesquisa realizada pelo Instituto DataFolha, em 2011, apontou que 75% dos entrevistados concordaram com a proibição de aditivos para diminuir a atratividade de produtos para fumar.

No Brasil, o tabagismo é responsável pela morte de 200 mil pessoas todos os anos. Atualmente, existem cerca de 25 milhões de fumantes e 26 milhões de ex-fumantes em nosso país. A prevalência de fumantes é de 17,2% da população de 15 anos ou mais.

Para ver notícia na íntegra, com vídeo da entrevista do diretor da ANVISA acesse www.anvisa.gov.br.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Anvisa decide sobre uso de aditivos em cigarros




O uso de aditivos em produtos derivados do tabaco será tema de deliberação da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nesta terça-feira (14/2). A decisão sobre o tema ocorre em reunião pública dos diretores do órgão, na sede da Agência, em Brasília (DF), a partir das 14h30.

A proposta prevê o fim da comercialização de cigarros com sabor no Brasil.  Além disso, proíbe o uso de substâncias que potencializam a ação da nicotina no organismo, como:  acetaldeído, ácido levulínico, teobromina, gama–valerolactona e amônia.


Após a deliberação, o diretor da Agência, Agenor Álvares, concede entrevista coletiva sobre tema.

Assunto: deliberação sobre uso de aditivos em produtos derivados do tabaco
Quando: terça-feira (14/2), a partir das 14h30.
Onde: bloco E da sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no SIA trecho 05, área especial 57, em Brasília (DF). 

Fonte:www.anvisa.gov.br

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Beber socialmente também gera problemas

O efeito do consumo agudo do álcool, relacionado a ingestões de bebida em ocasiões específicas, pode causar hipertensão e problemas cardiovasculares, além de aumentar o risco do desenvolvimento de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). É o que aponta uma pesquisa desenvolvida pelo doutorando Ulisses Vilela Hipólito, no laboratório da farmacologia da USP, em parceria com a Universidade de Ottawa, no Canadá.

"As linhas de pesquisas existentes já estudaram os efeitos do consumo crônico do álcool, que é prejudicial à saúde. O objetivo dessa pesquisa foi analisar se um consumo, mesmo que menor, também poderia trazer danos para a saúde. Percebemos que isso ocorre", diz Hipólito.


Para a realização da pesquisa, foi utilizado o modelo "Binge drinking", termo em inglês que pode ser entendido como o bebedor de fim de semana. O estudo baseou-se na administração do álcool em ratos e comprovou que 85% dos animais que fizeram a ingestão da substância apresentaram alterações no sistema cardiovascular.

O coordenador da pesquisa, Carlos Renato Tirapelli, explica que a grande pergunta a ser respondida é como o álcool induz à hipertensão. "Foi possível perceber que o álcool relaxa a aorta. Ele produz muitos radicais livres, que são as moléculas formadas no organismo, resultado da oxidação natural. Esses danos podem provocar um gatilho que desencadeie num espasmo e até levar ao AVC" diz o pesquisador.

A pesquisa tem sido desenvolvida nos últimos dois anos. São observados ratos sob o efeito de uma quantia de 13% de álcool no organismo. O estudo é feito após a absorção do etanol. Além do apoio da universidade canadense, a pesquisa teve financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

"A Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas) fez um levantamento em 2007 e, no Brasil, o hábito de beber socialmente é muito comum entre jovens de 18 a 30 anos. Por isso, a necessidade de reconhecer que esse uso agudo também é prejudicial", afirma Tirapelli.

Vitamina C ajuda a minimizar efeitos do álcool

Para tentar minimizar os efeitos do álcool no organismo, foi utilizada a vitamina C, administrada aos ratos depois da ingestão alcoólica. "Como a vitamina C é um antioxidante natural, tentamos utilizá-la para reduzir os danos causados pelo álcool no organismo e percebemos que ela minimiza alguns efeitos", diz Hipólito.
Segundo o pesquisador, o próprio organismo possui as vitaminas C e E, porém em quantidades insuficientes para reagir ante o álcool. "Posteriormente, será testado o uso da vitamina E para ver se ela será capaz de ajudar na minimização dos efeitos", afirma.
A próxima linha de estudo de Hipólito será observar se os efeitos do álcool em doses agudas pode ter consequência prolongada.


Fonte: www.jornalacidade.com.br (com correção). Publicado em 05/02/2012.